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Entrevista Diretoras Acadêmicas ESAMC
  • Entrevista Diretoras Acadêmicas ESAMC

    No dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher e, para debatermos assuntos como o ensino superior, carreira e mercado e trabalho para as mulheres, batemos um papo com as Diretoras Acadêmicas da ESAMC, Amália Borges (Santos) e Daniella Rubbo (Campinas).
    Acompanhe tudo o que elas disseram a seguir!

    Há quanto tempo trabalha ESAMC?
    Amália Borges (AB): 09 anos
    Daniella Rubo (DR): 11 anos.
    Como chegou ao cargo de diretora acadêmica?
    (AB): Através da meritocracia, um dos modelos gerenciais mais utilizados pelas empresas.
    (DR): A ESAMC sempre procura valorizar o bom desempenho dos seus professores, com justiça e objetividade. Nesse sentido, o fator mais importante foi o bom trabalho como professora. Ao  longo do tempo, procurei sempre me manter atualizada e, principalmente, me envolver com processo de aprendizagem do aluno.
    Como é ser mulher na posição de diretoria?
    (AB): A posição é almejada por muitos educadores, sendo mulher nessa posição enaltece, traz força no sentido de que podemos exercer qualquer cargo ou função na pirâmide empresarial. Há muito apoio entre meus companheiros de trabalho, estamos juntos na tarefa de educar e ensinar.
    (DR): Nunca senti, na ESAMC, que o fato de ser mulher pudesse de alguma forma dificultar minha carreira. Ao contrário, sempre pude contar com a flexibilidade da instituição. No entanto, a condição de mulher implica em alguns desafios, até por conta de hábitos culturais muito arraigados. Percebo, por exemplo, certo espanto das pessoas ao tomar decisões sem consultar meu companheiro.
    Mudando um pouco para o lado acadêmico. Na visão como Diretora, o número de mulheres que buscam o ensino superior aumentou?
    (AB): Sim, aumentou bastante. Na minha época éramos poucas alunas, hoje o número de mulheres em sala de aula chega a 50%. Fico feliz em ver a mulher buscando seu lugar na pirâmide empresarial e, acima de qualquer coisa, buscando a educação.
    (DR): O número de mulheres no ensino superior sempre foi relativamente alto. Os estudos foram, durante muito tempo, uma das poucas alternativas para alcançar o mercado de trabalho. Contudo, algumas áreas ainda parecem ser bem refratárias para as mulheres, como as engenharias.
    E o número de mulheres que concluem o ensino superior?
    (AB): Dentro deste percentual aproximado de 50%, o número de concluintes permeia o percentual de 35%. A interrupção, em muitos casos, é por problemas familiares que recaem sobre o colo feminino.
    (DR): Na última colação de grau da qual participei, o número de mulheres era maior que o de homens. Porém, isso não significa necessariamente um avanço da diminuição da desigualdade. É sabido que, no mercado de trabalho, a carreira da mulher é muito mais difícil. Assim, a busca pelo ensino superior, mais do que um diferencial, é quase uma questão de sobrevivência.
    Partindo para o mercado de trabalho, como você o vê para as mulheres?
    (AB): Vejo da mesma maneira que todo mundo, não há outra forma.
    (DR): O mercado ainda tem muito o que evoluir no caminho da igualdade de gêneros. A área do ensino talvez seja uma das poucas exceções a esse problema, já que a docência tradicionalmente é relacionada à figura da mulher. Entretanto, se pesquisarmos o número de mulheres em cargos de liderança, tanto nas instituições de ensino superior, como em outras áreas, veremos que as mulheres ainda são em número inferior ao esperado.
    E no caso do trabalho no ensino superior, as professoras mulheres são um número menor?
    (AB): Ainda temos mais homens como professores no ensino superior, não como um demérito ter menos mulheres, mas sim porque ainda estamos em busca deste espaço também.
    (DR): A princípio o número de mulheres é igual ou maior que o número de homens. Entretanto, se pesquisarmos o número de mulheres em cargos de liderança, tanto nas instituições de ensino superior, como em outras áreas, veremos que as mulheres ainda são um número inferior ao esperado.
    Como vocês enxergam a relação dos homens referente às mulheres que estão acima de seus cargos?
    (AB): Os homens são respeitosos, mas eu gostaria que no mundo empresarial não houvesse distinção entre os gêneros, e sim a distinção por competências técnicas, gerenciais ou comportamentais. Não podemos qualificar ou desqualificar qualquer ser humano por seu gênero.
    (DR): Minha experiência pessoal é muito positiva em relação aos homens que estão em minha equipe. Poderia relatar algumas reações de surpresa e curiosidade, tanto de homens quanto de mulheres com quem tenho contato cotidiano, tais como perguntarem como consigo conciliar os cuidados de um filho com as demandas do trabalho.

    Daniella ainda acrescenta que esta foi uma oportunidade para refletir sobre sua própria condição de mulher. “Se por um lado posso me considerar realizada, tanto profissionalmente como pessoalmente, por outro, é preciso reconhecer que essa é a exceção, não a regra”, conta.
     

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